Em 2019, cruzei os portões do antigo asilo-colônia de Pirapitingui, em Itu (SP), para documentar o cotidiano de seus últimos moradores — sobreviventes de uma época de isolamento compulsório e tratamentos dolorosos.
O nome deste ensaio nasceu em um dos nossos encontros. Ao relembrar a juventude, Seo Otacílio cantarolou alegremente "Cerejeira Rosa", um clássico de 1955. Aquela melodia deu novos significados à nossa busca. Se as cerejeiras simbolizam renovação e esperança, para os homens e mulheres de Pirapitingui elas se tornaram também o símbolo do guerreiro: a urgência de viver o presente sem medo, extraindo beleza de existências marcadas pelo estigma e pela dor.
Através de uma imersão profunda e afetiva, este trabalho busca trazer à luz memórias que a história tentou invisibilizar. É um exercício de escuta e empatia focado na dignidade e na força dessas trajetórias. Afinal, para tudo na vida há um outro olhar, um viés difuso, uma segunda referência.
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